Primeiro, peço desculpa pelos meses de ausência.
Neste novo post pretendo falar sobre algo pelo qual todos iremos passar, mais cedo ou mais tarde, o LUTO.
Eis a situação: Há cerca de um mês perdemos uma prima para o câncer. Jovem, 22 anos, com muita, mas muita vontade de viver e que lutou até acabarem suas forças. Mas a família se preocupa com os momentos em que a mãe desta garota chora e, por vezes, se desespera e não tem apetite nem ânimo para trabalhar. Escuto por vezes dizerem "Fulana, não chore... Ela não pode chorar" e vejo a vontade de que essa mãe volte a ter sua rotina normal.
Me perguntaram: O que fazer?
Para responder a essa pergunta há que se entender o LUTO.
Segundo a Psicanálise, LUTO é um conjunto de reações a uma perda significativa, seja a morte de um ente querido, o rompimento de uma relação amorosa ou de amizade, a perda de emprego, etc.
Cada pessoa reage a essa perda de forma mais ou menos intensa e duradoura a depender de como se preparou para vivenciá-la, do grau de apego ao que se perdeu e do tipo de morte. Em geral, é um processo de longo prazo, em média dois anos. Nas mortes traumáticas ou
inesperadas o luto costuma durar mais tempo.
Os sintomas do luto podem ser divididos em fases, a saber:
1. Negação: A pessoa não aceita a situação. "Não, eu não merecia isso" ou "Isso não pode estar acontecendo". É a fase de maior sofrimento.
2. Raiva: O enlutado se encoleriza e se rivaliza com a situação, seu causador ou "pseudo-causador (Deus, p. ex.). É uma fase de revolta contra si e contra todos, e há a tentativa de se achar um culpado.
3. Barganha: Tendo um "culpado", imagina-se ser fácil uma troca - "talvez se eu agir desse ou daquele jeito, seja possível reverter a situação". Em casos de falecimento essa fase é um pouco mais complicada pois a pessoa já não está mais presente - "se eu tivesse feito isso ou aquilo, ainda estaria aqui".
4. Depressão: O enlutado se volta pra dentro de si e descobre que o inevitável aconteceu. Chega-se ao "fundo do poço". Aqui se a pessoa não tiver estruturação psicológica pode realmente adoecer e necessitar de ajuda profissional. Porém, essa é a fase que propicia uma recuperação, pois se está no fundo só há um caminho a seguir: para cima.
5. Aceitação: Tendo vivenciado e lidado com a perda, percebe-se que a vida é única e continua. Aqui o enlutado está recuperado e assimila mais esse aprendizado. Isto não significa que em outra situação de luto ele não sofrerá, mas estará mais preparado.
Além desses sentimentos também podem ocorrer sintomas físicos como aperto no peito, falta de ar, insônia, fadiga, perda do apetite, etc.
É importante que o enlutado passe por todas essas fases. É necessário que chore, que se revolte com o mundo, que tente achar um culpado, para enfim cair em si, perceber a perda e seguir em frente. Não se deve reprimir os sentimentos, "é pra doer mesmo" diz Maria Helena Bromberg - Psicóloga. Isto é o chamado LUTO NORMAL.
E nessa busca por superação do luto faz bem à família se reunir para chorar, conversar sobre o assunto, olhar retratos. Os rituais também ajudam: Segundo Maria Helena Bromberg, "O velório permite que as pessoas se despeçam e que o enlutado seja reconhecido como tal".
O período luto-casa dura cerca de dois meses. Aí cessam as visitas e a dor costuma piorar. É quando costuma ocorrer uma tentativa de resgatar o cotidiano anterior à perda, o que é impossível. A psicóloga Clarice Pierre diz ser importante, nesse estágio, se desfazer de objetos e roupas de quem morreu, e mudar hábitos. Muita gente muda de casa, de profissão, se engaja em uma causa.
E quando o luto se torna patológico? Em duas situações:
- Quando o enlutado age como se nada tivesse acontecido, não se permitindo sentir dor. O sofrimento fica reprimido e um dia pode se romper de forma intensa e abrupta.
- Quando a pessoa não consegue se refazer da perda, não se desfaz dos objetos do morto, não consegue retomar suas atividades diárias.
Nesses dois casos o ideal é o acompanhamento psicológico.
Respondendo à pergunta feita no início: Deixa a mãe chorar o que tiver que chorar, sem repressão ou repreensão. Esse processo todo só vai ajudá-la a superar a dor. E, já que esse processo é normal, nada de recorrer aos "tarjas pretas", a não que seja realmente necessário.